• Ana Paula Vilela

A Sombra



Quadro de René Magritte



Projetada na parede,

a sombra.

Sabiás, sanhaços, bem te vis, pardais, anus brancos, cigarras....

O canto variado do final da tarde,

a conexão quase única com a natureza, o sublime, o absoluto.

O sol trazendo sombras.

Em meio aos ruídos desconexos da cidade,

das coisas, das pessoas que não se sabem humanas porque já não o são;

repetem falas, pensamentos, atos automáticos.

Se perderam nas sombras.

Não mais raciocinam, elaboram ou sentem.

Nada sentem.

As sombras.