• Ana Paula Maciel Vilela

As Irmãs



Foto Unsplash por Simon Maage @simonmaage



A expectativa da chegada das irmãs fez da segunda um dia especial. A lista para o

supermercado, o cardápio de cada refeição alternando entre o comer fora e o preparar em

casa, as opções de passeios, tudo pensado e preparado com carinho e zelo.

O meio da semana chegou rápido, mas a tarde não passava, mesa posta para o café da tarde,

fiscalizada, toalha alisada, idas e vindas até a janela da sala, na espera.

Como é prazeroso quando pessoas queridas chegam para somar conversas, sorrisos, anseios

e devaneios.

Como é bom esse estar junto por alguns dias, compartilhar refeição, brindar no quiosque

enquanto a pizza assa no forno de barro, iluminado também com velas. Instantes.

Caminhada na Lagoa da Pampulha. Passeio no Mercado Central, visita à Feira do Vale do

Jequitinhonha onde percebemos tantas histórias retratadas em cada peça, pintura, bordado.

Sentimentos tão variados ao produzir tanta beleza que a gente leva para casa um trabalho de

valor inestimável porque é uma história de vida.

Passeio na Feira de Artesanato da Afonso Pena, a alegria para os turistas por tantas opções

de produtos bons com preço mais justo. Enquanto descanso na escadaria dos Correios,

analiso as pessoas que circulam: o tipo físico, conversas, sorrisos, queixas. A quantidade de

miseráveis me espanta. Tanta gente sobrevivendo de forma tão precária. Muitos bêbados.

Momentos para reflexão.

Hoje esse estar junto chega ao final. Regressaram cedo para suas casas. Fica esse vazio das

vozes conhecidas. O silêncio da presença. A ausência.

Fiquei eu também vazia.

Vazio de estar com quem se é irmã.

Juntar risos e, muitas vezes, choro. Alegria, dor, decepção, esperança. Tudo o que caminha

junto.

Compartilhar esse importar-se com o outro. O bem querer. O sempre desejar estar um

pouco mais perto.

Instantes.

Ausência.

Alegria.

Vazio.

As minhas irmãs.