• Ana Paula Maciel Vilela

O Oco


Foto Unsplash por Zwaddi @ zwaddi



No tronco da velha árvore,

O oco.

Pequenas larvas,

Insetos, aranhas,

Em suas entranhas,

Em suas ranhuras internas,

Se acomodam. Instalam.

E só.

Às vezes sinto assim

Meu cérebro.

Como se possível fosse

Ficar oco

O vazio sendo ocupado pelo leve

Pelo simples.

Suas múltiplas faces

Pintadas para se ver

Uma existência colorida.

Meu ser

Momentaneamente oco.

Durmo e me recuso

A abrir os olhos

Ser invadida

Por pensamentos

Que ali ruminam há dias,

Semanas, meses.

Escolher enxergar outro dia.

É uma escolha.

E só.